segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A evolução do radinho de pilha

Mesmo em meio à discussão de quem foi o descobridor do rádio, o brasileiro padre Landell de Moura ou o italiano Guglielmo Marconi, o que interessa é que foi através do rádio que a comunicação chegou mais rápido.
Por volta de 1936, surgiu o marco na história do rádio no Brasil, a Rádio Nacional – PRK-30, no Rio de Janeiro. Foi então que nasceram os programas de auditório, as radionovelas e a interatividade com o público.
A propulsão da Rádio Nacional foi tão intensa que, entre os anos 30 e a primeira metade dos anos 50, seus programas eram gravados e enviados para retransmissão em outras cidades do país. Dois anos depois surgiu a Rádio Globo AM, que até hoje é uma das mais populares do Brasil, com sua chamada “rádio Globoooo” reconhecida até hoje, principalmente pelos amantes do futebol. A rádio AM era o principal veículo de informação, como o repórter Esso com Heron Domingues.
Com a chegada da TV em 50, a extinção do rádio foi anunciada. Entretanto, em 1955 foi realizada a primeira transmissão experimental de rádio FM. Em 1969 o governo militar do presidente Arthur Costa e Silva investiu nessa nova forma de transmissão, onde toda a programação tinha supervisão do governo militar. Em 70 com o auge da ditadura, a frequência AM passou a ser vista como “brega”.
No inicio da década de 1980 a rádio FM avançou e começou a se popularizar principalmente entre os jovens, apostando nos estilos musicais e com uma linguagem mais coloquial e dinâmica. Esse crescimento atingiu a estabilidade da rádio AM que perdeu terreno e credibilidade principalmente na classe média que a intitulou de antiga e com muita politicagem. Sem falar na atuação de muitos empresários que confundiram a atuação da AM com a FM no seu estilo e comando (como por exemplo, a rede CBN que entrou no ar em 1990 e passou a transmitir tanto em AM quanto em FM - seu clone). Em 2000 a CBN AM saiu do ar. O criador perdeu para a criatura.
Nos últimos 15 anos, muitas emissoras AM foram compradas por igrejas evangélicas, algumas FMs também passaram a transmitir conteúdo religioso. A Igreja Católica também adquiriu algumas transmissoras.
No ano de 2000 a rádio AM sofreu o auge da discriminação. Os que ouviam assiduamente a AM viraram a casaca e foram para a FM.
Uma investigação na CPI do futebol trouxe à tona indícios de que alguns dirigentes de clubes tenham enxertado fortunas para trazer locutores renomados da AM para as ondas da FM, e conseqüentemente trazendo seu público fiel. A rádio FM passou a usar a roupagem da AM.

O sistema digital
Em 2001 começam os burburinhos sobre uma nova tecnologia – a rádio digital, que segundo dizem é a favor da primogênita rádio AM. A nova tecnologia promete um som mais potente à amplitude modulada, ou seja, mais clareza e nitidez em áudio, um novo fôlego para a rádio AM. A tecnologia digital dará a rádio AM clareza de FM e a FM qualidade de CD. Som limpo para os nossos ouvidos.
Com a rádio digital - áreas de sombras, interferências e a pirataria tão comum nas FM’s serão eliminadas. Ganha o ouvinte e a indústria.
O sistema para o rádio digital brasileiro, no entanto ainda não foi definido.

A convergência de mídia
Com tanta história pra contar, o rádio hoje não é só mais um meio de comunicação, mas também o serviço acessório mais utilizado entre os usuários de celular, e ainda é grátis.
A facilidade de acesso à informação transformou não só o veículo de comunicação rádio como também seu consumidor, isso gerou mudanças na publicidade. Hoje o Branded rádios, ou seja, as rádios patrocinadas por determinada marca, começam a aparecer nos dials. É o caso da Mitsubishi FM que além de música de diferentes estilos, dá informações sobre viagens, cultura, qualidade de vida e outros serviços. A rádio Oi FM, antiga Rádio Cidade, com inteiro conteúdo voltado para os quatro pilares da marca Oi (música, moda, esporte e cultura) que busca a interatividade com seu ouvinte. Se o cliente Oi estiver ouvindo uma música e quiser tê-la no seu celular, basta mandar um SMS para determinado número, e receber o nome da faixa, do autor, do CD que pode encontrar e ainda baixar no próprio telefone móvel a música que acabou de tocar.
Hoje o rádio, seja AM ou FM, está em todos os lugares (no carro, no ônibus, no metrô, no celular e na internet) e se comunica com a toda a sociedade, seja nas camadas mais populares às mais abastadas. É a evolução do radinho de pilha.

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