domingo, 30 de novembro de 2008

Democracia no Brasil: teatro, cinema, música e literatura após a ditadura. O que aconteceu com as artes?


A ditadura brasileira entre os anos de 1964 e 1985 provocou experiências de rupturas e constrangimentos no mundo civil e nas esferas da convivência política. Foram perseguidas todas as formas de diferença existentes em relação às propostas que iam sendo alinhadas pelos governos ditatoriais, com o propósito pre­ciso de exterminá-las e, assim, consolidar os projetos político-econômicos de mercado nos quais estavam envolvidos os grupos militares e seus aliados civis.
As ações ditatoriais induziram a formação de uma cultura do terror que passou a cobrir a vida social. O cotidiano sob uma ditadura provoca e ocasiona a construção, pelos processos de repressão e violência, daquilo que podemos chamar de Cultura do Terror. Esse nome foi dado porque era normal pessoas serem executadas e perseguidas em detrimento do entendimento político. Mediante a criação de uma cultura do terror, a ditadura conseguiu imprimir o silêncio e travar a memória.
No período da Ditadura vale à pena destacar que começaram a haver mudanças nas condições materiais do desenvolvimento de uma estrutura de comunicação de massa no Brasil e, mais especificamente, na implantação de um sistema comercial de televisão. A expansão das telecomunicações, efetuada, sobretudo, a partir de 1964, com base no modelo de concessão para emissoras privadas, gerou a construção de uma competição com número bem reduzido de concorrentes e liderado pela Rede Globo de Televisão e de um modelo de televisão caracterizado pela articulação de interesses políticos e econômicos. Modelo no qual um pouco mais tarde, enfrentou uma crise no Sistema Brasileiro de Comunicações diante das mudanças no mercado global, bem como a exclusão da maioria da população ao livre acesso à informação e ao conhecimento, exigência que não é satisfeita pelas emissoras de televisão no país. O modelo institucional da televisão brasileira mantém até hoje, uma relação de dependência com o Estado. Seguindo esse mesmo modelo, temos o de exploração do rádio, que conta com a infra-estrutura concedida pelo Regime Militar, bem como com as isenções fiscais e os investimentos publicitários estatais que fizeram da televisão, em especial a Rede Globo de Televisão, uma indispensável aliada política do regime. A censura às iniciativas de um jornalismo independente criou um padrão inofensivo, que vigora mesmo depois do fim da censura oficial, e que continua a dar lugar para a propaganda a serviço de interesses políticos, passando bem longe da discussão democrática de questões nacionais.
O amadurecimento das artes decaiu depois da ditadura militar, pois as artes eram a principal arma contra os rígidos códigos da ditadura mesmo que de maneira sutil, e sempre eram contra os detentores do poder ditatorial. Exemplos disso são fáceis de serem lembrados: Eles não usam Black Tie, Gota D'água, Morte e vida Severina, músicas de Caetano, Chico Buarque (os dois na foto), Gil e Claudio Tozzi com seus parafusos e porcas em referência à tortura, etc.
No final da ditadura a questão da discussão política dentro das artes quase que morreu, a maioria dos artistas se sentiram como os detentores do poder, mas tiveram de conviver com pires na mão devido à falta de verbas, a dificuldade de fazer arte diante de um quadro econômico com elevada inflação. Além disso, a impressão que foi passada durante algum tempo foi de que a própria ditadura serviu de fonte de inspiração para músicos e demais artistas para “criar” de forma inteligente, mas que com seu fim pareceu que as brilhantes idéias também se foram. Assim limitaram-se em suas peças teatrais e cinema, a apenas a relatar o período difícil pelo qual tinha acabado de passar o país.

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