domingo, 30 de novembro de 2008

Assis Chateaubriand e Cidadão Kane

Apesar do diretor Orson Wells negar, fica evidente para quem assiste Cidadão Kane, de 1941, que o filme é quase uma biografia do magnata americano William Hearst (no filme chamado de Charles Foster Kane). A vida de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo pode, em diferentes aspectos, ser comparada a dele.
Ambos exerceram papeis importantíssimos na comunicação. Hearst foi proprietário de 28 jornais, entre eles o San Francisco Examiner e o The New York Journal; e 18 revistas, entre as quais a Cosmopolitan e American Weekly. Possuía também cadeias de rádio e uma produtora de cinema.

Chateaubriand tornou-se o magnata das comunicações e o homem mais poderoso do Brasil entre o final dos anos de 1930 e começo dos anos de 1960.
Seu império jornalístico chegou a contar com mais de cem jornais, emissoras de rádio, estações de televisão, revistas e agência telegráfica: os Diários e Emissoras
Associados.

Ele foi também um dos responsáveis, junto com Pietro
Maria Bardi, pela criação do Museu de Arte de São Paulo (Masp), inaugurado em 1947, cuja sede definitiva foi concebida por Lina Bo Bardi.

Em 18 de setembro de 1950, inaugurou a primeira emissora de televisão do país, a Tupi, que ficou no ar até 18 de julho de 1980. Nos primeiros meses, a TV Tupi entrava no ar com apenas duas câmeras e foi um importante veículo na cultura brasileira. Lá, foram exibidas as primeiras telenovelas do país, como o grande sucesso Beto Rockfeller, os primeiros programas de auditório televisionados, como O céu é o limite, e programas jornalísticos, como o famoso Repórter Esso, com Heron Domingues na locução.

Mesmo tendo vivido em épocas diferentes, tanto Hearst quanto Assis Chateaubriand tiveram grande impacto político e cultural nos Estados Unidos e Brasil respecti-vamente. O legado que ambos deixaram é seguido até hoje por profissionais dos meios de comunicação do mundo todo.

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